domingo, 27 de maio de 2012

NÃO DÁ PRA CLASSIFICAR

Público esperou durante horas para poder ver a banda Franz Ferdinand (Foto: Flávio Moraes/G1)
Como pode alguém estar feliz e satisfeito numa situação dessas? Realmente foge à minha compreensão! Passam três ou quatro horas assim, espremidos e balançando os braços, chegam em casa "estourados" - se não pararem num hospital por conta de tumultos -  e dia seguinte comentam com os amigos: "Pô, aí, cara, me diverti paca!"...

sábado, 26 de maio de 2012

O "METRALHA"

Eu era corretor de imóveis em uma empresa do Rio e entrou para nossa equipe um rapaz a quem demos o apelido de Metralha, por “matraquear” sem cessar. Por eu ser veterano fui escalado para acompanhá-lo nos primeiros atendimentos. Uma vez fomos mostrar a uma cliente um apartamento de alto luxo, que nem eu nem ele tínhamos visitado ainda. A cada cômodo que ele apresentava tanto nós quanto a cliente nos entusiamávamos, com o salão imenso, a enorme cozinha, banheiros luxuosos, etc.  E o Metralha falando sem parar, empolgado, descrevendo cada peça como se já fosse velho conhecedor delas. Até que, ao adentrarmos o primeiro quarto, da janela o que se descortinava era uma imensa favela, à beira de uma pedreira. Tão próxima que se tinha a impressão de que se algum morador de lá quisesse era só estender uma tábua e atravessar para o lado de cá. Aí o Metralha, apesar de estupefato como nós, emendou na sua loquacidade: “E aqui a senhora tem esse magnífico espetáculo humano-social!”...

MULHER BARBADA

Josenilda tem a mania de, quando vai aos supermercados, ir experimentando os perfumes e desodorantes tipo spray. Numa dessas, enquanto ninguém estava observando, ela pegou rápido um frasco na prateleira, dirigiu o jato para o pescoço e apertou o gatilho. Não era perfume nem desodorante, era creme de barba. Os fregueses olhavam intrigados para aquele espantado rosto feminino coberto de espuma...

O BANHO

Isto não é a História do Banho, que dizem ter sido inventado pelos índios, pois até eles terem sido contactados ninguém tomava banho, o que explica as grandes pestes que ocorreram na antiguidade. Também não pretendo descrever os diversos tipos de banhos, turcos, persas, franceses, sei lá. É apenas a estória do MEU banho. Pode não ser bonita, nem interessante, nem mesmo bem escrita, acredito mesmo que ninguém vá se dar ao trabalho de lê-la. Mas que é original acho que é, pois nunca soube de alguém que descrevesse minuciosamente o próprio banho.
        É assim: Entro no banheiro. Tchan, tchan, tchan!... Se estiver sòzinho, ou só com minha mulher, não tranco a porta, apenas encosto. Não acho legal ser observado enquanto se toma banho. Por isso em minha casa nunca teria uma “suíte”. Isso pode até ser bom para amantes, de corpos perfeitos, porque no caso o que interessa não é a higiene pròpriamente dita, mas o visual excitante, um dando banho no outro. Naturalmente que isso serve também para casais casados, enquanto jovens  e novidadosos, porque depois que se entra na rotina ou se envelhece não tem graça nenhuma. Pô, desculpe a demora, mas banheiro tem isso. Acho que é o único lugar da casa onde a gente se sente realmente prazenteira, à vontade, sòzinha conosco mesmo (argh!...).
        Continuando: Parei onde? Ah, sei: tinha encostado a porta. Pois é, aí tiro a camisa se estiver com, as calças (confiro primeiro se não deixei algo nos bolsos, dinheiro, carteira, lenço, etc.). Se vou tornar a usá-las, o que normalmente não é razoável, penduro no gancho, cabide, sei lá. Se não, deixo no chão porquê, mesmo que haja um tapetinho, pisar nelas depois ajuda a secar a sola dos pés. Afasto as cortinas do box – não gosto de vidros ou plásticos rígidos. E se eu perco o equilíbrio e caio e quebro tudo e me corto? Não, cortinas são melhores e fazem o mesmo efeito. Pego o tapete antiderrapante que estava pendurado num ganchinho (aí ele está  sempre seco) e o estendo no piso. Nunca convém deixar o antiderrapante no chão molhado de um dia para o outro, pois ele se enche de bactérias que podem passar pra seu corpo, ui!
        Aí abro o chuveiro (não seria melhor “abro a torneira”, ou “abro o registro”?). Sei lá. Agüinha  morninha, que ninguém é de ferro. Mesmo no verão, porquê o que chateia é aquele choque quando a água fria bate nas costas, aquilo pode matar, sabia? Tem gente que já teve um colapso por causa disto. Fria, só se estiver um calorzão daqueles, ou se faltar luz, aí não tem jeito. Pior é quando acaba a água, em pleno inverno, você todo ensaboado grita, já tiritando de frio: “Fiiilha, liga a boooomba!”. E se não tiver ninguém em casa? Você sai do banho todo molhado, vai ligar a bomba,  louco de medo de levar um choque, ô tragédia!
        Não escolho sabonete, qualquer marca e preço servem. Uma vez usei um, Lever, eu acho, que dava um Chevrolet pra quem achasse uma chave do carro dentro do sabonete. Algumas pessoas acharam, mas reclamaram dos arranhões sofridos ao encontrar a tal chave, e a campanha teve de parar.  Outra campanha desastrosa foi a do Lifebuoy, que começou divulgando que ele servia para acabar com o CC. Até aí funcionou bem, até que um expert da empresa resolveu decifrar o enigma, esclarecendo que CC queria dizer Cheiro de Corpo. Ora, qualquer um que fosse comprar o tal sabonete era logo identificado como portador de CC. Pegou mal. Outro ainda chamava-se Salus e era bem cotado, até que um dia um engraçadinho fez uma rima rica: “Usem Salus, o sabonete pra cavalos!”. Acabou com o Salus. Na falta de sabonete, uso sabão de côco mesmo. Não tem problema, fico com um cheirinho de cocada...
       Molho primeiro o corpo, pois se molhar os cabelos a água fica escorrendo pelo rosto, entra nos olhos e não é bom. Fecho o chuveiro e começo ensaboando (devia ser ensabonetando) o braço esquerdo, as costas da mão, o ombro, as costas até onde der, o sovaco (axila, bem!), o peito, a barriga (tá acompanhando?), o umbigo. É, tem gente que esquece de lavar o umbigo, e fica aquele pretinho lá dentro, he, he. Passo o sabonete pra outra mão, repito os movimentos no lado oposto. Passo bastante sabonete nas costas da mão direita e esfrego as minhas costas como der. De vez em quando uso aquele escovão de cabo comprido, que aí uso também pra esfregar as solas e as unhas dos pés.
        Com o sabonete agora na mão direita ensabôo coxa, canela, peito, entrededos e sola do pé esquerdos, repetindo a dose no lado direito. Descanso o sabonete e esfrego o corpo com as mãos, na mesma ordem em que me ensaboei. Com as pontas dos dedos faço uma massagem vigorosa na pança, na vã tentativa de diminuí-la. Não uso esponjas ou paninhos, acho que, além de anti-higiênicos (acumulam bactérias) não se deve tirar toda a gordura corporal, penso que isso deixa a pele mais exposta aos efeitos do sol, poeira, micróbios, etc. Aí pego novamente o sabonete e passo nos pentelhos fazendo bastante espuma, que uso primeiro na glande, no pênis, no saco e nas virilhas e depois na entrenádegas e no ânus. Uso essa ordem porque me disseram que se usar as mãos primeiro no ânus e depois no pênis posso transportar de um lado para o outro bactérias nocivas, estafilococus, estreptococus e tal,  e isso não é bom.
        Finalmente esfrego as solas dos pés no tapetinho, fica mais fácil do que me abaixar para esfregá-las. Abro o chuveiro e lavo as mãos e o sabonete. Normalmente lavo a cabeça todos os dias. Molho-a, fecho o chuveiro (a água é um bem precioso e está sumindo do planeta, não devemos desperdiçá-la) e a ensabôo bem, com o mesmo sabonete. Sempre achei frescura usar xampu, condicionador, essas coisas. Esfrego bem o couro cabeludo com as pontas dos dedos (aumenta a circulação na área, é bom para os cabelos) e com as palmas das mãos esfrego bem a cabeleira, fazendo bastante espuma. Com a mesma espuma lavo o rosto, os olhos, as orelhas, o pescoço e dou outra passada no corpo. Os ouvidos lavo com as pontas dos dedos, sempre com o cuidado de não pressionar água ou espuma lá pra dentro, isso não é bom, dá dor de ouvido. Passo uma água no sabonete, pra tirar a espuma, isso  faz com que seque mais depressa, evitando o desgaste rápido, e o ponho na saboneteira do box. Presto atenção se ficou água empoçada na saboneteira, isso também desgastaria o sabonete mais depressa.
        Repare também que até agora não deixei cair o sabonete, porque quando isso acontece não é fácil tirá-lo do chão. Além de o chão estar bastante longe para um cidadão de certa idade, o tal de sabonete escorrega pra cara...ca. Uma vez deixei cair e quando fui pegá-lo sofri um deslocamento na coluna que me imobilizou de tanta dor, teve de vir um monte de gente me ajudar e eu ali, peladão! Fui carregado para o hospital. Agora no meu sempre cravo uma tampinha de refrigerante num dos lados. Isso, além de facilitar o manuseio do bicho ainda ajuda a conservá-lo seco e a saboneteira sem aquela remela. Ah, e nunca faço xixi enquanto tomo banho, tem gente que faz e aí o ralo do box fica fedendo, é chato.  Nessa parte escatológica também tem um porém, é quando a gente dá um peido logo depois que se enxágua ou se enxuga, pô, parece que o fedor gruda no corpo,  tem-se de tomar todo o banho outra vez.
        Abro novamente o chuveiro e enxáguo primeiro a cabeça, depois o corpo, usando as mãos e lavando as partes  mais ou menos na mesma ordem em que me ensaboei.  Aí uso bastante água, deixar restos de espuma na cabeça e na pele não é bom. Acabei a lavação, fecho o chuveiro. Sacudo bem os cabelos com os dedos e passo vigorosamente as mãos na cabeça e no corpo, apertando bem pra tirar o excesso de água, de outra maneira a toalha de banho ficaria logo muito molhada.
        Pego a toalha no cabide ao lado, está sempre limpa e sequinha. Seguro uma das pontas, passo a outra pelas costas e, com movimentos rápidos e vigorosos a (ou as?) enxugo. Faço movimentos vigorosos (outra vez vigorosos?) com a toalha sobre a pele porque acho que isso estimula a circulação, e isso é bom. Largo uma das pontas, passo a toalha  para a frente, as duas mãos por baixo e enxugo primeiro o rosto, o pescoço, o peito e a barriga, não esquecendo o umbigo. Na barriga faço  movimentos mais vigorosos (nossa, outra vez). Ainda não perdi a esperança de diminuir a barriguinha. Libero uma das mãos e enxugo um ombro, um braço, um sovaco, depois os outros. Enxugo as virilhas, o saco, a glande e o pênis, não acho necessário enxugar o ânus. Com uma das pontas da  toalha segura na mão esquerda enxugo com a direita  as nádegas, entre as pernas e as pernas. Pra enxugar os pés, apóio-me na parede com uma das mãos, jogo a toalha sobre um ombro e enxugo primeiro um pé com o qual, saindo do box, me aprumo, já no tapete seco. Aí enxugo o outro pé.
        Só então vou enxugar a cabeça, sempre com os já famosos movimentos” vigorosos” . Deixo os cabelos um pouco úmidos, pra facilitar o penteado. Estendo a toalha no cabide se ainda estiver limpa, se não deixo no chão. Pisando na roupa ou na toalha usadas vou pentear os cabelos, nu mesmo, pois enquanto me penteio o corpo seca mais. É horrível vestir-se com o corpo ainda úmido, principalmente moletons. Grudam na pele e, se bobearmos, prendemos uma perna e levamos um tombo.  Penteio-me com pente ou escova, não uso loção, cremes, nada. Também no corpo nunca usei  talquinhos, perfumes nem desodorantes e nunca ninguém reclamou. Pronto, visto uma calça ou bermuda, pego as roupas usadas – pra pôr na roupa suja - e saio do banheiro descalço e sem camisa, a não ser que esteja muito frio, no caso levo um chinelo e camiseta. Se tiver de me arrumar, faço isso no quarto. Pra dormir, se fiquei descalço, ou lavo os pés ou tomo outro banho.
        É isso. Se gostou do meu sistema, pode copiar, não cobro royalties.

LEMBRANÇAS DO COLÉGIO ARTE E INSTRUÇÃO, DE 1950 A 1953

         Queria ver o pau comer era gritar perto de qualquer membro do Colégio Arte e Instrução a ofensa suprema:  “Colégio Arte e Instrução, entra burro e sai ladrão!”. E o pau comia mesmo, feio, envolvendo alunos e até mesmo algum membro docente, entre o Arte e Instrução e o Colégio Progresso, instituição menor, da Rua Cerqueira Daltro, em Cascadura. Apesar da maior proximidade com o Souza Marques, era com o Progresso que a rivalidade despontava com maior furor. Às vezes não era o grito insolente, a refrega era gerada por algum evento esportivo ou cultural do qual os dois colégios participavam, às vezes era uma simples briga entre dois alunos rivais que contagiava a alunada e partiam todos pra luta. Fosse hoje, que qualquer menor tem acesso fácil a armas de fogo, seria certamente uma carnificina. Mas naqueles bons  tempos, o resultado era só alguns olhos roxos e escoriações generalizadas.
    Curioso é que quase nunca as lutas ocorriam em Cascadura, terra dos “progressistas”. Modo geral as escaramuças começavam na frente do Arte e Instrução, lá perto do Campinho e, para evitar a intervenção enérgica dos inspetores, algum dos brigões desafiava: “Vamos pra Padre Manso!”. Veja, uma rua com nome de Padre, Manso ainda por cima, era a arena preferida dos selvagens  adolescentes. Aliás a rua não era só palco das guerras intertribais não, era quase sempre  lá que qualquer desavença era resolvida aos tapas e murros.
    Entrei no ginásio com 12 anos. O colégio ficava na Av. Ernani Cardoso, perto do Largo do Campinho. A construção era dois prédios de frente, estilosos, cinzas, umas colunas trançadas, fazia os escritórios e o atendimento e havia também uma área coberta, onde ficavam os inspetores. Mais pra trás outra construção, quadradona, três andares, era o prédio das salas de aula. Durante todo o dia as escadas ficavam movimentadas com um vai-e-vem de alunos e alunas, pois as matérias às vezes eram dadas em salas diferentes. Às vezes uma turma de garotos – ficávamos separados, inclusive nos pátios de recreio - cruzava na escadaria com uma turma de garotas e alguns safadinhos aproveitavam para dar uma “roçadinha”. Que era comemorada depois entre os colegas como se tivesse havido uma noite de núpcias. Nessas escadas uma vez deu-se uma cena que foi assunto durante muito tempo entre os “maus-elementos”. Enquanto as alunas subiam alguns espertinhos ficavam olhando pra cima, na esperança de ver algo que os deleitasse. Uma vez foram surpreendidos por D. Lourdes, professora de Trabalhos Manuais (é, havia isso...). Ela ficou furiosíssima e gritou irada com eles; “Seus sem-vergonhas! Nunca viram pernas de mulher, não?! Querem ver? Pois olhem! Olhem!” e levantou um pouco a saia, até aos joelhos. Nada risível aos olhos desde sempre cruéis dos adolescentes, se a nobre professora não tivesse deficiências em ambas as pernas, finas, arqueadas, joelhos enormes e pés defeituosos metidos em botas ortopédicas, seqüela talvez de uma paralisia infantil.
    Embaixo, à esquerda do largo corredor de entrada, ficava o auditório, amplo, com palco e centenas de cadeiras. À direita, em frente ao auditório, a cantina, onde eventualmente alguns alunos e alunas furtivamente cochichavam. É, porque se os inspetores pegassem saias e calças conversando, era repreensão na certa...  Alinhados com a cantina, portas viradas para a cerca do pátio, os banheiros masculinos (os femininos nunca soube onde ficavam). Antro de libertinagem (naqueles tempos primaveris,  quem diria), onde os viadinhos da escola – o mais conhecido era o Raul – faziam a ventura dos alunos mais velhos ou mais experientes. Onde também se fumava muito – cigarros, maconha era coisa da malandragem do morro e em outras drogas nem se falava -  e onde se acertavam contas, com socos e pontapés, naturalmente nos mais fracos que a gente. Eu mesmo tive um desforço lá uma vez. Na fila pra urinar, um gaiato empurrou-me sobre um à minha frente e fui surpreendido por violento soco no olho. Como já tocava a campainha do fim do recreio o “deixa-disso” não me permitiu revidar na hora. Proferi o famoso “Te espero lá fora”. E esperei. Quando meu agressor saiu,  fui-lhe às fuças. Mas o danado era mesmo de briga. Desde a frente da escola até o outro lado do viaduto, quase um quilômetro adiante, ainda estávamos nos engalfinhando. Parodiando o Moringueira, até hoje ninguém sabe quem apanhou. Eu garanto que foi ele, ele garante que fui eu.
     Eu estudava de manhã, eu acho. Usava uniforme cáqui, blusa manga curta, leve. Outros alunos usavam sobre a camisa um dólmã também cáqui cheio de bolsos. As meninas usavam uniforme tipo “normalista”, saia azul pregueada e blusa branca, com o emblema do colégio bordado e parece que uma gravatinha. Eu ia sozinho, quase sempre a pé,  às vezes de bonde - que na época subia o viaduto e parava bem em frente à escola. Passageiros mais ágeis “tomavam” o bonde e saltavam dele em movimento. Uma vez fui fazer o mesmo. Quando o bonde passou pulei no estribo e agarrei-me ao  balaústre, como eles faziam. Só que ao invés do balaústre segurei foi na bengala de um velho que viajava na ponta do banco. Resultado, lá fui eu, minha pasta, a bengala - e quase ainda levo o velho – para o chão, onde me estatelei e ainda rolei uns três metros, vendo a morte de perto sob as rodas de aço do bonde .
       O diretor chamava-se Ernayde, Doutor Ernayde, e não era muito popular entre os alunos, que eu me lembre. Havia os inspetores, encarregados de manter a ordem e fiscalizar os alunos no pátio,  nas escadas, nos corredores e até na frente da escola e na  rua. Tinha o Serpa, alto, de cabelos penteados para trás, parecia um caboclo, simpático, estava mais pra “tio” (não se usava esse termo da forma que se usa hoje) que pra inspetor. Acho que era ele que tinha um pé torto. Tinha o inspetor Girão, tipo alemão, durão, enérgico. Ái do aluno que desrespeitasse um inspetor, principalmente o Girão.
    Os professores de que me lembro eram o João Leite – forte, bigodão, sempre de guarda-pó branco aberto no peito e fumando muito – professor de Ciências. Brincalhão, mas na hora da aula exigia silêncio e atenção. Um dia em que ensinava sobre ossos do esqueleto humano  mostrou uma caveira de verdade. Meu amigo Gelson (depois falo mais dele) fez uuuuuuu e foi uma gargalhada geral, só que o autor da gracinha foi expulso da sala sem contemplação. Frase  lapidar do João Leite: “Tempo de escola não é aprendizado. Se fôsse, o Acácio” - zelador  da escola há trinta anos - “seria diretor”.
    O professor Teixeira era de Geografia. Era bexigoso, muito simpático e amigo dos alunos. Uma vez pelo menos participou da guerra contra o Progresso. Virou lenda entre os alunos. E a D. Maria, de Francês? Gorda, mas gorda de verdade, alegre, gozadora, pisava sem dó no pé do aluno que o deixava fora da carteira.  Sua vítima preferida era o Edson Ávila – à vela, ela o chamava. Implicava com ele, que não havia meio de pronunciar o “je sui”. Saía sempre “je chi”. Anos depois encontrei o Edson. Era motorista de caminhão, de mudanças, parece.
    O Bruno era de Latim (é, tinha Latim...). Tímido, parece que tinha vergonha de falar aos alunos. Usava óculos sem armação e fumava desajeitadamente. Era engraçado que a fumaça entrava pelos óculos, fazia arder e encher seus olhos de lágrimas, aí ele tirava os óculos, enxugava os olhos, limpava os óculos e era assim até o fim da aula. Na aula de História tinha o Posa, Geraldo Posa, também autor de livros de História. Sua “aula” era sui generis: entrava, os alunos imediatamente se aquietavam – isso era o normal em qualquer outra aula, acreditem - sentava-se à mesa, abria um livro e anunciava: “O ponto hoje será sobre a Revolução Francesa”, por exemplo. Sentado, lia o ponto em voz alta, até soar a campaínha que anunciava a próxima aula. Fechava o livro, se despedia cortesmente dos alunos e ia embora...
    O Eliseu era de Português. Simpaticísimo, atencioso com todos, educadíssimo, ao ponto de os alunos “desconfiarem” dele. Até que um teve a coragem de perguntar-lhe, em plena aula, porque ele era tão... tão... finíssimo. O professor Eliseu, tranquilo  como sempre,  explicou: ele era médico, obstetra. Lidava com senhoras e mocinhas em situação delicada, de risco. Tinha de ser o mais gentil possível, falar e portar-se com brandura. E havia também os pais e maridos, que geralmente acompanhavam as filhas e esposas ao consultório, principalmente na primeira consulta. Pensariam duas vezes antes de deixarem suas preciosas princesas nas mãos de um homem rude, barba cerrada e  voz grossa. Foi convincente, granjeou ainda mais respeito de seus alunos.
    O Lakir de Aguiar era irmão do João Leite. Professor de Desenho, era dentista e tido como rico. A maioria de seus clientes eram alunos e professores do Arte e Instrução.  Havia ainda outro irmão do João Leite, o Renato, professor não sei de quê. Só sei que envolveu-se uma vez numa briga com meu pai, em Itacurussá, onde tínhamos um barraco na beira da praia.
    A Matemática, a terrível Matemática do ginásio, ficava nas mãos do cruel Elias. Investigador de polícia, macérrimo, longos bigodes à Charlie Chan e também longos cabelos pretos, era o terror dos estudantes. Bobeava com ele era um tapa no quengo, um caderno ou caneta jogados pela janela, um grito colado na cara. Excelente professor, exigentíssimo, os alunos tinham de entender o problema, nem que fôsse na marra.  Só uma vez sorriu. Amarelo, mas sorriu. O autor da façanha foi o Vitor Hugo Nunes Bartolo. Prenome de gênio, atleta musculoso (praticava o Charles Atlas Método de Tensão Dinâmica), em pleno meio-de-ano matava aulas e mais aulas mas advertia os companheiros: “Olha, não me sigam, já tenho média pra passar. E vocês?...”. Cena um: o cruel Elias percebe um cochicho do herói Vitor no fundo da sala e o chama ao campo de batalha, o quadro-negro. Enquanto o herói treme (papo, heróis nunca tremem), o quadro fica repleto de números e letras. Pode, somar e dividir números por letras e vice-versa? Xises e ypissilones mais e  vezes quatros e zeros vírgula noves, e parênteses e colchetes? Desafia o Elias: “Resolva. Se errar, leva zero de hoje até o final do ano!”. Resoluto, Vitor, para desenvolver o problema, acaba de encher o quadro com outros números e letras e enfim termina. “Errado!”, urra o monstro. “Volte pra sua carteira e já sabe: reprovação na certa!”. Calmamente, como soem ser os heróis, Vitor afirma que o resultado dele está certo. O professor só falta ter um enfarte, ou derrame, sei lá, fica tão estupefato com tamanha insolência que nem consegue falar. Vitor Hugo então faz o impensável. Começa a “desfazer” o problema. Deixa no quadro apenas o resultado, de poucos números e letras, e o problemão, com centenas deles. Apaga todo o desenvolvimento feito e, a partir do resultado, desenvolve tudo ao contrário e chega ao problema! Já viu palmas em sala de aula? Pois é. Arrasado e admirado, balbucia o grande Elias: “É... me chamou de feio!...” e sorriu. Amarelo, mas sorriu!...
    A Música era com o Maestro Barbosa. Figuraça. Queridíssimo, admiradíssimo, parece que até hoje é a lembrança maior dos ex-alunos. Simplérrimo, calmo, delicado. No entanto, meu gentil e paciente carrasco. Quero enfrentar o Elias ou o João Leite, mas não me mandem pra aula de música, por favor. Pra entenderem, imaginem o diálogo: o Maestro, “Dê um dó” e eu, “dó!”. “Não, filho, eu falei ”. Eu: “então... dó!”. “Meu filho, não é dó, é dó! dó! Preste atenção: !”. E eu, quase chorando, mas sem conseguir a entonação certa: “dóóó...”. Só passava em Música pela bondade do Barbosa. Queridinho do Mestre era o Gessy. Nome de viado, pinta de viado, mas não era. Um artista, isso sim, que voz! Quando cantava, nas aulas ou nas apresentações no auditório, era um sucesso!
    Inglês, Espanhol, outras matérias, não lembro. Lembro do Gelson Leoni da Costa, meu amigo, parte da trindade comigo mais Francisco Carlos Passos Aran, o Chico. Estávamos sempre juntos, no pátio, na sala, no banheiro, na saída, até nos separarmos na volta para casa. Menos durante algum tempo. Gelson prestava muita atenção em uma aula, enquanto o Chico desenhava na perna da calça dele com esferográfica. Ao ver o desenho em sua perna, Gelson deu-lhe uma bofetada. Durante uns dez dias o trio era formado assim:  Gelson  na frente,  Chico uns dez passos atrás e eu no meio, ora adiantando-me pra palrar com o Gelson, ora atrás pra dar atenção ao Chico. Eu morava na Brasilina, em Cascadura, no outro lado do Viaduto. O Chico morava na Cerqueirea Daltro, pros lados de Cavalcante, tomava um lotaçãozinho preto até lá. O Gelson era de Ricardo de Albuquerque, lá perto de Deodoro, longe pacas. Era musculoso, praticava ginástica. Apanhava muito do pai, que era militar, parece que sargento do exército. Às vezes chegava machucado na escola. Perguntado respondia que tinha tirado uma nota baixa, por isso apanhara. Alguns colegas o chamavam de Americano. Ele torcia a boca quando falava, como os americanos. Estudava inglês de um modo muito interessante. Ia ao cinema, via os filmes, mas não lia as legendas. Naquele tempo não havia filmes dublados. Então, pelos atos e gestos dos atores, ia percebendo o que significavam as palavras que diziam. Lia revistas em quadrinhos com os balões em inglês, escutava músicas americanas. Se chegou a falar bem o inglês não sei. A última vez que o vi, uns trinta anos depois, era mecânico de helicóptero. Encontrei-o numa rua no Castelo, por acaso. Não me parecia feliz. Fiquei triste com sua aparência, parecia bem mais velho que eu, carequinha, enrugado, mal vestido. Ficamos de nos comunicar, mas nunca mais nos vimos. O Chico, um dos bonitões do colégio, com seu bigodinho nascente, as pernas longas e os pés espalhados era paquerado (também não se usava essa palavra, naquele tempo) pelas meninas, mas seu par constante, à saída do colégio, era a Marta. Lourinha espevitada, agitada, a cabeleira loura e crespa sempre espanada, saia comprida, era gozada pelas colegas, mas não se importava. Era seu jeito, e se o Chico gostava dela, estava bom. Recentemente localizei a família do Chico, falei ao telefone com uma de suas filhas, deixei meu endereço, email e telefone, mas não tive retorno.
    Havia o Nascimento e o Ademar, tipos mal encarados, sempre dispostos a uma maldade. Uma vez me viram de calças curtas na rua.  Não se usava bermudas, shorts só na praia, os garotos mais espertos usavam calças compridas. Foi um tempo infernal pra mim, suportar a gozação dos dois, zombando de mim por causa das calças curtas. Havia o Pintinho, não me lembro o nome dele, pequenino, cabeçudo, durante alguns dias tentou, sem sucesso, fazer parte da troika Gilson, Gelson e Chico.
    De outros colegas lembro apenas o nome e o tipo. Meu xará Gilson Figueiredo e o Orlando, sempre de dólmã, parece que os únicos negros do colégio, garotos bons, tímidos, sempre risonhos. O Ayrton, o galã mais requisitado da escola, usava um casaco curto ao invés do dólmã, contrariando a disciplina nesse quesito. Até que um dia apareceu com o casaquinho e um lenço no pescoço. Aí foi demais para os inspetores, que passaram a marcar em cima. Alto, forte, cabeleira e sorriso a la Elvis, parece que era o aluno mais velho do Arte e Instrução, tanto que saiu do ginásio direto para a Aeronáutica, já com dezenove anos. Outro gostosão das meninas era o Joelli, moreno magro, alto, cabelo curtinho sempre bem arrumadinho, cantava boleros. “Senhora” era o “hit” mais requisitado na época.
    Lembrei agora também do Aparício, que tinha um modo engraçado de mover a cabeça num movimento rápido, ao jeito dos galos, o que lhe valeu esse apelido,  Galo. E do Zé Ernesto, branquinho, bigode já bem saliente, vasta cabeleira penteada de minuto a minuto. Metido a malandro, o Zé usava calças com a boca das pernas bem apertadinhas e gingava e se expressava imitando os malandros do morro.
     E tinha a turma da política. Todos, como eu, pertenciam a uma célula – secreta, como convinha naqueles tempos - da União da Juventude Comunista, a UJC. Digo todos porque tinha eu, mas na verdade os outros membros eram moças e todas do Científico. Cyma, gorduchinha, risonha, fazia o tipo “criançola”. Clara Goldfarb, grande, judia, tipo “senhora” e Hildenê Mendes Pinto, mulata magrinha, a sempre ativa líder do grupo.  E a Lenice, moradora de Madureira, loura e magricela, metida a intelectual, que mais tarde casou-se com meu irmão - que por sinal não era do colégio. Chegamos a fundar um jornal na escola, não me lembro o nome. Para essa tarefa pedimos ajuda financeira aos professores. Só que no primeiro número, como convém a bons revolucionários, desancamos a tudo e a todos, inclusive aos professores, cobrando-lhes mais presença e empenho nas aulas. Resultado: além de primeiro, foi o único número, fechando o glorioso periódico por falta absoluta de verba.
    Já no final do curso - que não era barato - meu pai empobreceu, mais ainda. Como não tinha dinheiro pra pagar o colégio, fez um acordo com o proprietário, o Dr. Ernayde. Todo mês meu pai publicaria na revista que dirigia,  o poderoso Boletim Mensal da  Cooperativa dos Empregados em Carris, Luz e Força do Estado do Rio de Janeiro (ou da Guanabara, sei lá) um anúncio do Arte e Instrução. Assim, trocando  anúncios por mensalidades, terminei o ginásio e me formei, como provam o diploma e a foto que guardo, no prestigioso e querido Colégio Arte e Instrução.

CAÇA ÀS BRUXUXAS


A entrevista à Tv e o livro que a Xuxa está lançando criaram uma situação especial.  Antes já havia uma campanha mais ou menos cerrada contra a pedofilia.  Agora trata-se de uma verdadeira “caça aos pedófilos”. Nos tempos antigos era a caça aos cristãos. Depois aos judeus. Depois a até hoje famosa caça às bruxas. Houve a caça aos índios e negros e a também tristemente famosa caça aos comunistas que, iniciada como uma preocupação com a defesa da democracia, dos valores cristãos e principalmente da liberdade, transformou-se numa guerra suja das multinacionais, banqueiros e industriais de armamentos contra todo aquele que falasse em paz ou em igualdade para os negros ou em melhores salários para os trabalhadores. Primeiro nos próprios EUA, a Lei de Atividades Anti-americanas, do senador MacCarthy, com a dispensa em massa de todos aqueles que não concordassem com guerras ou com a exploração desenfreada das multinacionais ou por uma maior liberalidade na sociedade,  culminando com prisões e deportações de cientistas, professores e artistas. Depois no resto do mundo, com invasões e ataques armados a países cujos governos ou movimentos sociais ousassem desafiar os princípios do “mundo livre, ocidental e cristão”, isto é, ousassem defender seus próprios interesses e manter sua própria cultura. Todos, sem exceção, eram taxados de comunistas  e por isso tinham de ser eliminados da face da Terra.
          Outros políticos, artistas e cidadãos eminentes no Brasil já se pronunciaram contra a pedofilia, com méritos. O problema do engajamento de Xuxa é, primeiro, a maneira como foi feito. Entrevista bombástica, com divulgação de seu livro de memórias, com a chamada irresistível de que ela própria tinha sido molestada em criança. Ora, ela é um ídolo, aliás, o ídolo da criançada, não só no Brasil mas em muitos outros países. Seus gestos, penteados e roupas são imitados por milhares de crianças, inclusive com incentivo das mães, que adoram ver suas filhinhas passarem por Xuxinhas.
O que vai acontecer então? Muitas, mas muitas crianças mesmo, para parecerem com a Xuxa, vão desejar passar por molestadas, mesmo não tendo sido. Basta verificar que as denúncias partidas das crianças simplesmente TRIPLICARAM este ano. Qualquer gesto de carinho, um abraço, um beijo, um beliscãozinho na bochecha, vai ser motivo para ela aparecer como Xuxete, não perdendo assim espaço nas conversas com as coleguinhas, também imbuídas do mesmo espírito. Pais -  principalmente padrastos – tios e avôs que se cuidem. Seus carinhos,  brincadeiras e passeios com suas enteadas, sobrinhas e netas serão armas contra vocês nas boquinhas delas e das mentes malévolas que, sabe-se, são incontáveis. Sentar no colo? Nem pensar. Selinho? É sexo. Passear de mãos dadas? Atenção, quem observar vai ter “certeza” que você está levando a criança para local suspeito, pra ser estuprada.  Rolar com eles na cama, ou no sofá? Cuidado, o falecido Michael Jackson penou por causa disso.
         Enfim, é nisso que vai dar essa “caça aos pedófilos”. Menos carinhos, menos abraços, mais desconfiança e mais medo. E de quebra – ou principalmente - com base em informações  “absolutamente seguras” de crianças loucas pela aprovação de sua turminha e por crença na lei “infalível” de que “criança não mente” (piada...) muitos cidadão serão presos por mera desconfiança, expulsos da família e da comunidade, perseguidos e suicidados, afora a mágoa intensa e eterna, chegando à própria destruição da família do infeliz, com todas as conseqüências negativas do fato.
         Vejam bem,  não estou defendendo o pedófilo, assumido ou provado, que deve sim ser condenado como outro qualquer que desafia a Lei. Falo do cidadão injustamente suspeito e acusado. Por isso acho que a fala da Xuxa foram dois tiros: um no próprio pé e outro pela culatra.  No próprio pé porque agora ela será forçada pela mídia e pelas autoridades a denunciar seus ”defloradores” e ainda porque, por conta de um filme em que ela contracena com um pivete em cenas picantes,  também ela está sendo acusada pela opinião pública de pedofilia.  E pela culatra  porque ao invés de  inibir os verdadeiros pedófilos vai é fazer com que mais crianças queiram “experimentar” o que é essa tal de pedofilia de que a Xuxa tanto fala e que até já provou, além de promover a “caça às bruxas”, que vai desmantelar muitos lares, deixando as crianças numa situação provavelmente pior do que estavam antes.
O certo seria os órgãos e entidades especializados em infância agirem SÔBRE as crianças, alertando-as cuidadosamente  para os perigos que o sexo pode representar, apesar da curiosidade e dos desejos que pode suscitar. Sim, por quê, ao contrário do que muitos acham – acham não, fingem achar -  crianças não são seres assexuados. Basta lembrar a imagem mil vezes publicada da menininha olhando o que tem dentro do calção do menininho. Não se pode –  e isso a mídia e as cabeças ocas fazem com perfeição -  é endeusar ou demonizar o sexo, para as crianças. Pessoas de bom senso e preferivelmente preparadas devem ensinar a elas o que se deve e pode e o que não se deve e não se pode fazer. Como se faz quando se as ensina a se alimentar, ou a fazer ginástica, ou a tratar seus semelhantes.
A mídia é especialista em escândalos e temas que excitem as emoções, preferencialmente as negativas. São filmes, novelas, realities shows e agora até ao vivo, mostrando crimes bárbaros, violência inaudita e depravações de toda ordem, sexuais ou não, como se fossem diversão ou coisa natural e corriqueira. Ainda agora uma emissora de Tv está anunciando uma novela em que a personagem feminina principal é uma pretensa “de menor” que persegue amorosamente um rapaz já adulto (pelo menos é o que dá a entender a “chamada”). É claro que a maioria das adolescentes vai querer ser a “princesa encantada” da novela e vai tentar agir como ela. Preparem-se para mais pedofilia...

RESPOSTA A UM CRENTE QUE OFENDEU UM ATEU


Amigo Crente: Desculpe um louco, irracional e estúpido tratar-te assim, é que admiro muito um homem, chamado o Cristo, que dizia que devemos amar nossos semelhantes. O credo do “louco ateu” não é “Não há Deus”, como você diz. Os ateus (os “loucos”) não fazem disso um credo, pois tem muito em que ocupar seus pensamentos (a  miséria de muitos, o ódio contra os discordantes, a fome, a intolerância racial, os luxos e extravagâncias de uma minoria eternamente rica e sempre profundamente religiosa, y otras cositas mas...), ao contrário dos religiosos de todas as espécies, que vivem  com um Deus na boca, contrariando inclusive as pretensas palavras desse Deus: não pronunciar o santo nome em vão.  A sede dos desejos não é o coração, como você afirma, é o cérebro, qualquer pessoa medianamente informada sabe disso.  Nenhum ateu reivindica a onisciência ou a onipresença - palavras suas -  muito ao contrário, a maioria tem a humildade de reconhecer que são muito pequenos para atingir a suprema sabedoria, ao contrário dos religiosos que, desde a mais tenra infância, proclamam com ufanismo: “Ora, EU SEI como o Universo foi criado, EU SEI a razão de ser de tudo e pronto, não quero saber de mais nada!”. Os ateus no máximo procuram hipóteses razoáveis para a Vida. Os ateus não ignoram as maravilhas do Universo e da Vida, engano seu, ao contrário, são os que mais se encantam e se surpreendem com elas. Mesmo muitos sendo cientistas que dedicam suas vidas ao estudo,  são humildes e despretenciosos e sempre procuram uma razão LÓGICA para sua existência, não lhe atribuindo nenhum caráter mágico ou fantasioso (o que é muito mais fácil...). Quanto aos fenômenos que você descreve, as coisas sempre foram assim, mas os dados, as conclusões, a razão de ser dos processos naturais foram obra do esforço imenso de milhares de estudiosos e cientistas, sempre em luta contra as atitudes dos religiosos de todos os matizes, alguns pagando com torturas inimagináveis e com a própria vida a ousadia de discordar da Bíblia, do Alcorão, dos Upanishads, os “donos” da verdade e da sabedoria. E é graças a esses “loucos” ateus que a humanidade hoje vive muito, mas muito melhor do que vivia nos tempos em que a Religião, daqui ou d’alhures, detinha o Poder supremo.  Todas as estatística apontam para o crescimento considerável do número de ateus no Mundo, e isso é ótimo. Talvez quando TODOS forem ateus, acabará a intolerância, a desigualdade escandalosa de renda e a esperança vã na vinda de algum salvador, pois todos saberão que terão de resolver AQUI e por seus próprios meios, os problemas de sua co-existência. Um abraço e não odeie este pobre ateu, por favor.

O que é labirintite?

       Labirintite é um termo impróprio, mas comumente usado, para designar uma afecção que pode comprometer tanto o equilíbrio quanto a audição, porque afeta o labirinto, estrutura do ouvido interno constituída pela cóclea (responsável pela audição) e pelo vestíbulo (responsável pelo equilíbrio).
       Processos inflamatórios, infecciosos e tumorais, doenças neurológicas, compressões mecânicas e alterações genéticas podem provocar crises de labirintopatias e vestibulopatias, entre elas a labirintite.
       A labirintite se manifesta, em geral, depois dos 40, 50 anos, decorrente de alterações metabólicas e vestibulares. Níveis aumentados de colesterol, triglicérides e ácido úrico podem acarretar alterações dentro das artérias, que reduzem a quantidade de sangue circulando nas áreas do cérebro e do labirinto.

       São considerados fatores de risco para a labirintite: hipoglicemia, diabetes, hipertensão, otites, uso de álcool, fumo, café e de certos medicamentos, entre eles, alguns antibióticos, anti-inflamatórios, estresse e ansiedade.
  
Sintomas
       Tonturas e vertigens associadas ou não a náuseas, vômitos, sudorese, alterações gastrintestinais, perda de audição, desequilíbrio, zumbidos, audição diminuída são os sintomas característicos da labirintite. Na vertigem rotatória clássica, a sensação é que o ambiente gira ao redor do corpo, ou que este roda em relação ao ambiente. Na tontura, a sensação é de desequilíbrio, instabilidade, de pisar no vazio, de queda. A fase aguda da doença pode durar de minutos ou horas a dias conforme a intensidade da crise.
  
Diagnóstico
       Avaliação clínica e o exame otoneurológico completo são muito importantes para estabelecer o diagnóstico da labirintite, especialmente o diagnóstico diferencial, haja vista que as seguintes enfermidades podem provocar sintomas bastante parecidos: hipoglicemia, diabetes, hipertensão, reumatismo, doença de Mèniére, esclerose múltipla, tumores no nervo auditivo, no cerebelo e em áreas do tronco cerebral, drogas ototóxicas, doenças imunológicas e a cinetose, também chamada de doença do movimento que não tem ligação com as doenças vestibulares ou do labirinto.
       A tomografia computadorizada e a ressonância magnética, assim como os testes labirínticos, podem ser úteis para fins diagnósticos.
 
  
Tratamento
       São vários os tipos de medicamentos que podem ser indicados no tratamento da labirintite:

* Vasodilatadores: facilitam a circulação sanguínea e melhoram o calibre dos vasos muitas   vezes  reduzido  pelas placas de ateromas;
* Labirinto-supressores: suprimem a tontura pela ação no sistema nervoso;
* Anticonvulsivantes e antidepressivos (inibidores seletivos de recaptação da serotonina);
* Drogas que atuam sobre outros sintomas, suprimindo a náusea, o vômito, o mal-estar.
Uma vez estabelecida a causa e estabelecido o tratamento adequado, a tendência é a doença desaparecer.
  
Recomendações
Mudanças no estilo de vida são fundamentais para prevenir as crises de labirintite. Eis algumas sugestões:
* Evite ingerir álcool. Se beber, faça-o com muita moderação;
* Não fume;
* Controle os níveis de colesterol, triglicérides e a glicemia;
* Opte por uma dieta saudável que ajude a manter o peso adequado e equilibrado;
* Não deixe grandes intervalos entre uma refeição e outra;
* Pratique atividade física;
* Ingira bastante líquido;
* Recuse as bebidas gaseificadas que contêm quinino;
* Procure administrar, da melhor forma possível, as crises de ansiedade e o estresse;
* Importante: não dirija durante as crises ou sob o efeito de remédios para tratamento da labirintite.

Fonte: Dr Drauzio Varella
Postado por Luciana Leite às 13:42 0 comentários http://img1.blogblog.com/img/icon18_email.gif

sexta-feira, 20 de abril de 2012

AGRADEÇO A DEUS


     
Porquê agradecer a Deus? Porque tenho uma boa casa e como todos os dias? Porque eu e meus filhos temos o que vestir?  Porque tenho um belo automóvel e moro num lugar seguro, com a polícia sempre me protegendo?  Mas que raios de benefícios divinos são esses, se Deus permite que eu e outros riquinhos como eu comam caviar e bebam champanhe enquanto milhões morrem de fome e sede? Como alguém, mesmo recebendo todas as graças que a vida oferece pode dizer que é abençoado, sabendo que pessoas diàriamente são feridas e torturadas física e psicologicamente, que crianças cobertas de moscas apodrecem em vida?  Se esse Deus me faz ver todos os dias a violência contra os indefesos e meninas são estupradas em todos os cantos do mundo, devo agradecer o quê?  O meu conforto? A minha alienação? O meu egoísmo? A minha indiferença?
     Não, Deus realmente não existe. E se existe é mau, indiferente, injusto, ou pelo menos incompetente. Olhe em volta e veja se consegue embasbacar-se com os mares, as montanhas e as florestas, "perfeitas" criações de Deus e ao mesmo tempo imaginar o sofrimento de um pai que ficou sozinho porque toda a sua família, inclusive seus filhos pequeninos, foram tragados por uma tsunami. Ou tente imaginar o sofrimento de uma avó que foi enterrar seus netinhos, soterrados por uma avalanche ou por um terremoto, ou queimados num incêndio causado por um raio. Ou pense na figura de uma criança esquálida  chupando um peito sem leite, esperando a morte porquê Deus "criou" uma sêca terrível. Se quiser ficar ainda mais feliz, delicie-se com o retrato de populações famintas arrastando seus filhos deformados por pragas terríveis provocadas por insetos, vírus e bactérias, também "criações" de um magnífico Deus.
     Que culpa têm essas crianças que aparecem nos escandalizando em Youtubes, Domingos Espetaculares  e Fantásticos?  Elas pecaram? Seus pais, esses pobres mulambos, pecaram? E devem, pais e filhos, sofrer assim sem perdão? Será que a tacanhice das pessoas é tão grande que não dá pra perceber que as causas dessas tragédias ou são catástrofes naturais (não "criadas" por Deus nenhum) ou são os poderosos de todas as eras, que controlam e exploram toda a terra e todo ser humano que lhes esteja ao alcance e ao mesmo tempo adoram e incentivam a adoração de deuses inexistentes? Não percebem os crentes de todos os matizes que esses mesmos poderosos, sempre e sempre com o apoio de religiões e seus prestimosos sacerdotes é que exploraram e ainda exploram sem dó nem piedade as terras ricas e as populações mais fracas da África, da Ásia e outros lugares da Terra, deixando para trás só devastação, ignorância e miséria?
     Não entendem ou não querem entender os acomodados que os ricos, milionários, biliardários, detentores de riquezas imensas, pessoas que faturam dez, vinte, trinta milhões por mês, se quisessem ou fossem obrigados poderiam se não acabar pelo menos minorar o sofrimento das gentes pobres e sofredoras do planeta. Ora, é mais fácil dizer e pregar que é assim porque Deus quer e pronto. Isso justifica as ações predatórias dos donos do mundo, aquieta os inquietos, atemoriza os crédulos e dá esperança aos ingênuos. E assim ficaremos todos comportadinhos, uns ajoelhados, uns cantando hinos, outros pondo galos pretos nas encruzilhadas e outros ainda batendo com a testa no chão, esperando mais vinte séculos, até que um deus justo porém vingador venha dar um jeito em tudo e em todos...

quarta-feira, 18 de abril de 2012

PORTUGUÊS CLARO...

                   De Chico Anísio, na Revista Língua, postado por Nicole Rodrigues no Blog Acefalando


"Agora eu pergunto: Quem é este cidadão que atende por este patronímico para propagar esta verrina não só vexante como metuenda? Apenas um rapsodo, veabolante, sorrelfa e tramposo. Prolificentíssimos em chocarrices e parastes e que em uma das janelas de jar aguateiros e falta de profícuos que fazeres teve o ousio de profilgar o léxico copátrio com esta objurgatória quentóxina. Escuse-me o impertérrito semáculo por acometer contra as suas oiças com expressões tão simples, esquisapapalvas. Mas o assunto deve ser pendorado com toda clareza como estou fazendo. Não espere o proditor minhas profalsas por tal assertiva que nada mais é do que um vitupério, um menoscabo, procedimento soez - característico dos procazes valdevinos, mel hortes , zagorrinos e pataratas. O que é litigável litiga-se, diga-se de passagem. Será ele um folas que necessite de égide ou, quem sabe, um aclófobo que busca malsinação. Frenopata não é, pois, quando ainda subjacente, o vi fornecer a um médium de sorte um autógrafo chibunte, e, ao que me consta, cotriba não quis ser por zumbaia e nenhuma quizila, diga-se de passagem. (Podes crer. Podes crer, amizade.) Não sou um nubívago, nem me julgo um hermeneuta a viver barbialçado com ignaros a me sorrabar, porque a mim ninguém sorraba. Ele, sim, adora ser sorrabado pela simples razão de se achar um aríolo. Realmente, ele tem frenesia ror. Mas e daí? Qual é a dele? Sejamos debatiços. Saiamos da hebetude desta sorda panície undíflua diante à que estamos da gambérria de um pacóvio que já canonizou por alboroqueses que hoje rebimbado plebeíza nossa língua. Mas quem é que não entende o português? Nosso idioma é de uma clareza vítria, ebúrnea, de facílima captação. Os hodiernos é que tudo me choutearam com uma verbiagem que nada mais é do que um mistifório com palavras impedientes de qualquer entendimento. Falei simples como eu falei do pródromo desta parlanda usando os verbetes que usaria uma criança ainda pulcra e não haverá apodos ora, porra."

Sites de Relacionamento. Gente!...

Um site de relacionamento é um espaço onde  gente que a gente pensava que conhecia e gente que a gente não conhece posta um monte de bobagens que a gente nem pode criticar pra gente não parecer chata. (Ark)

domingo, 15 de abril de 2012

VEREADORES

Sem vereadores nunca teremos mais policiais, professores e médicos. O vereador é quem faz as leis pra nós e fiscaliza o cumprimento delas. E eles só estão lá porque NÓS os pusemos lá! O que precisamos é saber escolher os vereadores  como sabemos escolher nossa cerveja,  refrigerante e artista preferidos. Mas como alguns eleitores (NÓS não) são tão safados, incompetentes e preguiçosos como eles, preferem (NÓS não) deixar tudo como está, depois é só botar a culpa neles (NÓS também). A próxima eleição vem aí, é a chance de mudar. Mudar eles e mudarmos todos e tudo. Mas quer saber? Os eleitores (NÓS não) vão deixar tudo como está e vão continuar malhando os vereadores que eles mesmos (os outros eleitores, NÓS não) vamos pôr lá. Aí depois todos os eleitores, inclusive NÓS, vamos ficar esculhambando-os por quatro longos anos. Ô, coisa boa!...

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Resposta aos Donos da Verdade


Amigos Donos da Verdade (Desculpem um louco, irracional e estúpido trata-los assim, é que admiro muito um homem, chamado o Cristo, que dizia que devemos amar nossos semelhantes): O credo do “louco” não é “Não há Deus”. Os ateus (os “loucos”) não fazem disso um credo, pois tem muito em que ocupar seus pensamentos (a  miséria de muitos, o ódio contra os discordantes, a fome, a intolerância racial, os luxos e extravagâncias de uma minoria eternamente rica e sempre profundamente religiosa, y otras cositas mas...), ao contrário dos religiosos de todas as espécies, que vivem  com um Deus na boca, contrariando inclusive as pretensas palavras desse Deus: "Não pronunciar o santo nome em vão".  A sede dos desejos não é o coração, como gostam e apregoar, é o cérebro, qualquer pessoa medianamente informada sabe disso.  Nenhum ateu reivindica a onisciência ou a onipresença, muito ao contrário, a maioria tem a humildade de reconhecer que são muito pequenos para atingir a suprema sabedoria, ao contrário dos religiosos que, desde a mais tenra infância, proclamam com ufanismo: “Ora, EU SEI como o Universo foi criado, EU SEI a razão de ser de tudo e pronto, não quero saber de mais nada!” Os ateus no máximo procuram hipóteses razoáveis para a Vida. Os ateus não ignoram as maravilhas do Universo e da Vida, ao contrário, são os que mais se encantam e se surpreendem com elas. Mesmo muitos sendo cientistas que dedicam suas vidas ao estudo  são humildes e despretenciosos e sempre procuram uma razão LÓGICA para sua existência, não lhes atribuindo nenhum caráter mágico ou fantasioso (o que é muito mais fácil...). Quanto ao “você sabia?” que os donos da verdade gostam de citar, observem que as coisas sempre foram assim, mas os dados, as conclusões, a razão de ser dos processos naturais foram obra do esforço imenso de milhares de estudiosos e cientistas, sempre em luta contra as atitudes dos religiosos de todos os matizes, alguns pagando com torturas inimagináveis e com a própria vida a ousadia de discordar da Bíblia, do Alcorão, dos Upanishads, os “donos” da verdade e da sabedoria. E é graças a esses “loucos” ateus que a humanidade hoje vive muito, mas muito melhor do que vivia nos tempos em que a Religião, daqui ou d’alhures, detinha o Poder supremo.  Todas as estatística apontam para o crescimento considerável do número de ateus no Mundo, e isso é ótimo. Talvez quando TODOS forem ateus, acabará a intolerância, a desigualdade escandalosa de renda e a esperança vã na vinda de algum salvador, pois todos saberão que terão de resolver AQUI e por seus próprios meios, os problemas de sua co-existência. Um abraço e não odeiem este pobre e humilde ateu, por favor.

sábado, 7 de abril de 2012

Qual a pose mais sensual de uma mulher?


CONTRADIÇÃO (publicado no BIP, órgão da Intendência do M.Aer., citando como autora Clarisse Lispector)

Esse tipo de texto deve ter uma categoria  gramatical, não sei qual é. Lido normalmente tem um sentido e de baixo para cima tem sentido oposto. É interessante.

Não te amo mais.
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre te quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
EU TE AMO!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade:
É tarde demais...

Pitacos do Ark

A consequência do ato. É tudo o que importa.